quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Anjos caídos e um final muito rápido.


Hoje venho escrever sobre a saga "Hush Hush", da autora Becca Fitzpatrick. Comecei o primeiro livro desta série há mais de um ano, por simples acaso. Minha irmã havia comprado o primeiro volume em inglês e, como me apaixonei pela capa, logo me interessei e comecei a ler.

Devorei os dois primeiros livros em menos de uma semana, mas logo em seguida, com o terceiro livro, comecei a me cansar um pouco destes personagens. Terminei "Silêncio" e só agora resolvi dar uma chance ao último volume da saga - "Finale".

Farei aqui breves comentários sobre o que achei da história como um todo e o que senti com alguns personagens. Portanto, antes que você continue sua leitura aviso que farei "SPOILERS", coisa incomum no blog, mas que achei necessária para um final de saga, e que talvez você não concorde com o que eu disser. Vamos lá!

Primeiramente quero comentar a respeito da personagem Nora Grey. Vocês já devem ter notado que muitas vezes me irrito com algumas "mocinhas" e com ela não foi diferente. Eu compreendo que ela se sinta magnetizada ao lado de Patch, afinal não é sempre que se tem a oportunidade de namorar um anjo caído, lindo, perfeito e poderoso como este. Mas acho ela um pouco louca para ser bem sincera.

Ela é tão alucinada por Patch que todo o resto a sua volta fica em segundo plano. E daí que existe uma guerra entre duas raças e que ela e sua mãe estão no meio disto? O importante é que no final ela consiga estar com o cara que ela ama! Claro, todos queremos viver intensamente um grande amor como este, mas eu sou da política que tudo tem que ter parcimônia. Se você resumir sua vida à existência de outra pessoa você está se anulando, e acho que a Nora é um pouco psicótica com esse relacionamento. 

Ainda nesta linha, eu acho que a autora convenientemente facilitou a vida de Nora quando ela precisava sair escondida, encontrar o namorado que a mãe odiava e, por fim, viver mil situações de perigo durante a série inteira. No último livro a protagonista fica de castigo quando sua mãe a pega aos beijos e amassos com o namorado no banheiro da fazenda onde moram. Uns capítulos depois ela já está inventando que iria dormir na casa da melhor amiga - Vee - durante todo o final de semana, e a mãe esquece o fato anterior. Coerência faz bem.

E como assim nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo a autora decide que a Vee é nephil? Muito conveniente também.  Ainda por cima me fez o favor de matar o Scott! Para que fazer isso gente? Frustração é a palavra certa para o que senti. Acho que ela tentou minimizar a história toda com  o casamento no final, mas para mim não "colou".

Também fiquei com a sensação de que a autora correu com o final da história. Eu esperava uma coisa mais épica daquela que li, e achei que tudo se resolveu de forma assustadoramente rápida para um final de saga. Acredito que meu mal seja a minha querida J. K. Rowling, pois para mim, até hoje, não existe um final tão perfeitamente encaixado como em "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Sempre fico esperando algo empolgante nas minhas leituras de sagas e me decepciono. Espero que alguém se identifique com isto! Mas há exceções, de fato.

Por fim achei que o final dado a personagem Marcie foi horrível. Não consegui entender muito bem como as coisas chegaram ao ponto que chegaram. Como ela ficou sabendo das penas, achou o parque Delphic, o estúdio de Patch e estava lá entre as labaredas, do nada. Desaparatou certamente (ok, chega de HP - risos). Depois a autora só coloca uma pequena linha dizendo a garota morreu, até fiquei com dó dela, sério.

De qualquer forma, e apesar de tudo o que eu disse, sentirei uma pontinha de saudades de Nora e Patch. Principalmente daquele brilho de mistério em torno dele. Aliás, eu adivinhei uma parte do final da história, aquela em que Patch ganha o sentido do tato. Só não imaginei que o policial pirado da série toda fosse um arcanjo (convenientemente encaixado como tal no final).

Eu recomendo sim a leitura da saga, apesar dos pesares, caso você esteja se perguntando isto. Espero que tenham gostado desta postagem de hoje!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Um tênis em 1830.

Fazia muito tempo que eu estava interessada em ler este livro. Não só pela sinopse, que é quando sou conquistada, mas por ser muito bem avaliado e, ainda, escrito por uma autora brasileira.

Se você já teve a oportunidade de ler "A Viajante do Tempo", da autora Diana Gabaldon, e gostou muito, vai se identificar totalmente com Sofia, a protagonista de "Perdida", escrito por Carina Rissi.

A história se passa no ano de 2010. Sofia perdeu os pais em um acidente de carro há cinco anos e desde então se esforça todos os dias em seu trabalho chato para pagar suas contas e seu aluguel. Sua vida se resume ao escritório e as esporádicas saídas com sua grande amiga Nina. Sem contar que ela adora ouvir músicas em seu celular e ler repetidamente o mesmo livro quando precisa espairecer, um da autora Jane Austen.

Em uma de suas saídas com Nina, e namorado da amiga - Rafa, Sofia acaba bebendo muito, deixando seu celular cair na privada e acordando com uma enxaqueca horrível no dia seguinte. Pior ainda é a falta que o celular faz em sua vida. 

Sem pestanejar, ela coloca uma regata branca, uma saia jeans, calça seu all-star vermelho e se dirige para a loja de celulares mais próxima, perto de uma pracinha. Estranhamente, parece que as pessoas não resolveram sair de casa naquele dia, mas o que mais importava a ela era conseguir um novo aparelho celular, o mais moderno possível.

Sofia entra na loja e encontra uma vendedora mais velha. A senhora acaba tirando de uma das gavetas de um balcão uma caixa com um celular que ela jura ser o mais moderno possível para Sofia, ou melhor, ele é exatamente o que ela precisa. Depois de pagar pelo aparelho, e de estranhar a senhora ter feito cara de "pena" para ela ao vender o celular, nossa protagonista da vez vai testar o seu novo "brinquedinho".

É então que ela percebe que o aparelho simplesmente não funciona, que foi enganada pela senhora da loja. Com fúria nas veias ela decide pegar seu dinheiro de volta e começa a retornar para a loja, mas no meio da pracinha tinha uma pedra no meio do caminho. Depois de tropeçar na pedra, e cair de cara no chão, o celular resolve ganhar vida e um clarão enorme cega Sofia por uns instantes.

O problema é que quando a luz ofuscante cessa não há mais pracinha, muito menos a loja, menos ainda a cidade. Existe somente uma estrada de terra de chão batido e Sofia desconfia que a batida que recebeu na cabeça, da tropeçada na pedra, deve ter sido violenta demais.

Não bastasse a confusão, ela logo vê um homem montado em um cavalo, com roupas parecidas com o século XIX. O homem - Ian Clarke - desce do cavalo para ajudá-la e com apenas alguns minutos de conversa ela fica horrorizada, pois percebe que de fato está no século XIX, mais precisamente em 1830. Ian também está perturbado, pois não é adequado a uma jovem solteira andar pelas ruas seminua. Sim, pois naquela época mostrar as pernas era algo extremamente escandaloso. E é nessa confusão que a história de Sofia é contada pela autora. 

Eu amei o livro, de verdade. Dei boas risadas e o terminei em apenas um dia. Devorei cada página louca para saber o que aconteceria dali em diante. Recomendo imensamente para todos aqueles que gostam de um bom romance, com direito a viagem no tempo e muitas confusões.

domingo, 16 de novembro de 2014

Traga o seu cobertor.

Se você sempre foi fã da famosa saga Crepúsculo, mas sua adoração pendia para o lado dos lobisomens, eis aqui um livro com o qual você vai se deliciar. A resenha de hoje é sobre "Calafrio", escrito por Maggie Stiefvater.

O primeiro volume desta saga conta a história de Grace e Sam, sendo que os capítulos variam entre a perspectiva dos dois personagens.

Grace é uma garota cursando o ensino médio. Mora com os pais que mal dão atenção a ela e vive em seus devaneios acerca dos lobos de Mercy Falls, cidade fictícia do livro. Sua casa fica próxima a floresta onde tais criaturas perambulam dia e noite.

O fascínio de Grace sobre os lobos se inicia ainda quando criança. Aos nove anos de idade ela fora arrancada de seu balanço por um dos membros da alcateia, arranhada e mordida severamente, e só não morreu pois um belo lobo de olhos amarelos decidiu preservar sua vida, evitando um final trágico para este episódio.

Desde então Grace não consegue tirar o lobo de olhos amarelos de sua cabeça, esperando pelo seu aparecimento todos os dias do ano. Quanto mais frio, mais provável que seu lobo resolva "dar as caras" perto de sua casa.

Em um determinado dia, Grace e seus colegas de classe recebem a notícia de que um dos alunos da escola foi morto na floresta pelos lobos. Após o medo se alastrar pela cidade devido aos fatos, a polícia, juntamente com alguns voluntários, decide ir à floresta caçar os lobos, até que o último deles seja extinto da cidade. Nossa protagonista fica desesperada e decide ir até o local da operação policial impedir que isto aconteça, pois só a possibilidade de perder seu querido lobo a aterrorizava.

Após um tiro disparado, Grace inventa uma história de que Olívia, uma de suas amigas, estaria na floresta tirando fotos sem saber da operação e que ela poderia estar no meio do fogo cruzado. Com o problema temporariamente resolvido, Grace decide voltar para casa sem jamais imaginar que na sua porta ela encontraria um garoto com um ferimento a bala.

É claro que ela decide ajudá-lo, mas não sem antes notar que ele está completamente sem roupa, tremendo de frio e que possui lindos olhos amarelos. É aí que entra Sam, que precisa da ajuda de Grace e acaba ficando em sua casa escondido dos pais da menina (não me pergunte como). Grace logo nota que não existe nada de comum neste garoto, e que seus mais íntimos devaneios acerca de seu amado lobo estão se tornando realidade.

Eu terminei o livro relativamente rápido, mas confesso que durante muitas páginas eu quase perdi a vontade de continuar. Achei que a história evoluiu muito rápido entre os personagens principais, mesmo sabendo de todo o contexto explicando a situação. Só comecei a me interessar de verdade nos capítulos finais, o que me fez ter vontade de saber como a história irá se desenrolar. Eu acho (risos).

De maneira geral não é um livro ruim, só não me cativou como tantos outros que tenho lido ultimamente. Espero que o segundo volume me traga uma experiência melhor, desenvolvendo a história em um ritmo mais cativante.

Por enquanto vou ficando por aqui. Voltem sempre!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A cada carta lida, um choro segurado.

Hoje vamos começar o dia com a resenha de um dos livros mais lindos e sensíveis com que pude me deparar nos últimos anos.

A autora Ava Dellaira soube retratar e emocionar os felizardos leitores de "Cartas de Amor aos Mortos", nos inserindo no universo de Laurel que, infelizmente, tão nova precisou carregar o peso de perder a irmã mais velha.

É extremamente angustiante imaginar-se passar por uma situação como esta. Ninguém jamais deseja que a vida lhe puxe o tapete e coloque o carro na frente dos bois, permitindo que a ordem natural das coisas seja quebrada.

Acho que o sentimento de perda, para todos, não é maior ou menor pela experiência de vida que possuímos. A dor é vivenciada por cada um de maneiras diferentes, isto é verdade, mas sua intensidade é determinada pelo carinho e envolvimento com aqueles que nos deixaram.

Isto resume a falta que Laurel sente de sua irmã, considerada pela protagonista desta bela história como uma heroína, capaz de transformar seu mundo de criança em um incansável conto de fadas. Para Laurel a irmã era uma fada, com grandes asas, capaz de fazer feitiços e encantamentos para resolver todos os problemas.

Por trás deste mundo de ilusão, as meninas enfrentavam a separação dos pais e a irmã de Laurel entrava em sua adolescência, cercada de novas experiências que nem todas as vezes podiam ser compartilhadas com sua irmã caçula.

Determinada a fazer parte de cada coisa que envolvesse a irmã, Laurel se agarra a qualquer oportunidade de estar perto dela, escondendo juntas segredos impensáveis de seus pais recém divorciados. Os segredos incluem o envolvimento de sua irmã com um homem mais velho, que era mascarado pelas duas com a desculpa de que todas as sextas-feiras iam ao cinema juntas.

O falecimento da irmã de Laurel ocorre em um destes momentos quando, arrebatada por uma revelação inesperada, o vento a leva para longe deste mundo, provocando a ira de Laurel e o seu desespero, narrado ao longo deste livro.

Para tentar superar os acontecimentos, Laurel muda de escola e tenta assumir a identidade da irmã, considerada por ela a perfeição na terra. Ao longo do ano letivo ela faz grandes amigas e amigos e percebe que cada um possui problemas diferentes, mas não menos merecedores de atenção. A diferença está na maneira como cada um resolve encarar um momento difícil na vida, e eles serão a chave para quebrar o silêncio de Laurel sobre tudo o que ocorreu naquela trágica sexta-feira.

Além de seus colegas e uma inesperada paixão, a reviravolta na vida de Laurel só é possível pois a cada dia e fato novo ela se dispõe a escrever uma carta a grandes personagens como Kurt Cobain, Amy Winehouse, dentre outros, que não estão mais entre nós por diversos motivos.

É um livro de arrebatar corações e certamente você também ficará tocado com essa história. Espero que tenham gostado e voltem sempre!!