segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Amor é fogo que arde sem se ver.

Devo partir e viver ou ficar e morrer - Romeu e Julieta, de William Shakespeare.


Que o amor toca profundamente todos nós, isto você já sabe. Que o amor é a forma mais pura de cumplicidade, isto você também já sabe.
Que o amor e o ódio andam lado a lado, isto quem não sabe.

Pois bem, existem diversas maneiras de falarmos, comentarmos e tentarmos explicar o amor. Grandes escritores, pensadores e, por que não, até cientistas, já se enveredaram por esse assunto tão perseguido por nós seres humanos.

Um sentimento que provoca sentimentos. A plenitude, o prazer, a caridade, o respeito e, até mesmo, os piores casos de estados depressivos. E, acreditem, é com base neste último diagnóstico que em Portland, cidade principal do livro "Delírio", as pessoas possuem um tratamento contra o amor, ou melhor, amor deliria nervosa.

Seus sintomas, de acordo com o governo, são devastadores e os mais variados possíveis. De perda do apetite ao suicídio, o amor pode matar, e mata, nem que seja aos pouquinhos, aqueles que por ele acabam sendo infectados.

Você deve estar achando isto tudo muito louco. "- Como assim? O mundo não pode sobreviver sem o amor!". É, meu caro ou minha cara. Se você quer descobrir o quanto isto pode ser arrebatador, você deve ler o primeiro livro da saga de Lauren Oliver.

Contando um pouco mais da história, Lena, personagem principal, é uma garota prestes a completar seus dezoito anos de idade. Com a data se aproximando, chega também o momento de sua "intervenção", em que finalmente poderá se ver curada do perigo desta doença tão maligna.

Lena é órfã de pai e mãe. Viveu uma grande tragédia quando pequena, descobrindo que sua mãe estava infectada pela doença e que, por amor, cometeu suicídio. Desde então, mora com sua tia Carol e família, estando quase todos já curados.

A garota possui uma grande amiga chamada Hana, com a qual passa a maior parte de seu tempo discutindo os termos da intervenção e as respostas corretas e a serem dadas nas entrevistas, feitas pelos cientistas que ministrarão a cura.

Não bastasse ter que passar por um procedimento, e viver para sempre sem sentir amor, toda a sociedade precisa ser pareada, para que os cientistas encontrem para cada indivíduo um "parceiro ideal".

Em sua entrevista, Lena acaba dando respostas confusas, gerando a desconfiança dos estudiosos que a avaliam no momento, sendo salva "pelo gongo" quando vacas (isso mesmo, vacas) invadem o laboratório e acabam de vez com a avaliação. Ainda bem, pois assim ela terá  a visita aos laboratórios remarcada, podendo receber uma boa nota para ser pareada e, melhor ainda, não ser considerada infectada como sua mãe outrora fora.

No meio de toda esta confusão, ela se depara com um rapaz a observando e rindo da situação toda. Depois, com uma piscadela para ela, o rapaz deixa o local fazendo a cabeça de Lena girar. Seria ele um Inválido?

Inválido é o termo utilizado para descrever todos aqueles que nunca se submeteram à intervenção. Pessoas que vivem além das fronteiras da cidade, a chamada Selva, e consequentemente na clandestinidade.

E você já pode imaginar o que está para acontecer, não é? Afinal, o amor arrasa corações de uma hora para outra. Quando você menos espera lá está o sentimento, te envolvendo como uma cobra constritora, em que a cada respiração te aperta o peito mais e mais, te deixando sem ar, te levando ao delírio (sintomas bem pesados, principalmente depois de um grande "fora"da sua paixão - risos).

Será que Lena vai tomar o mesmo caminho da mãe? Isso é o que você terá de descobrir por si só. 

Particularmente, achei o livro bom. Pode ser que me surpreenda mais no segundo volume, é claro. É muito difícil encontrar novidades nas distopias atuais, pois todas possuem a mesma receitinha de bolo. A diferença fica mesmo pelos ingredientes.

Pessoal, espero que tenham gostado e me perdoem pela falta de publicações regulares. Mudar de apartamento, casar em dois meses e, ainda por cima, estudar para concurso público atrapalha um pouco as leituras e, por isto, as resenhas estão mais esparsas. Mas fiquem tranquilos, logo logo tudo estará resolvido.

Um grande abraço e voltem sempre!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Qual a cor do cavalo branco de Napoleão?

"Resposta Certa" é um livro para quem precisa se distrair um pouco e ver como as situações do cotidiano podem ser ridiculamente engraçadas, quando não vergonhosas para nós.

O autor David Nicholls traz para o leitor o ano de 1985, com a perspectiva de Brian Jackson, iniciante no curso de Literatura Inglesa.

Brian perdeu o pai quando tinha apenas 12 anos de idade. Os dois tinham como hobby assistir juntos ao programa "Desafio Universitário", um quiz sobre conhecimentos gerais. 

Logo quando Brian está ambientando-se em sua nova vida acadêmica, se depara com a oportunidade de participar do show e, de quebra, vislumbra pela primeira vez Alice Harbinson que, de acordo com ele, é o resumo da perfeição.

O livro passa a narrar em primeira pessoa tudo o que se passa na cabeça de Jackson e como ele decide encarar cada situação em sua vida, tudo em mínimos detalhes recheados de sarcasmos, ironias e uma excelente dose de humor. Tudo mesmo, desde a decisão acerca do melhor corte de cabelo até os seus pensamentos mais luxuriosos sobre Alice.

Brian é tão espirituoso e esperto que cheguei a conclusão de que ele é como o wikipedia ambulante, pois ao longo da vida foi capaz de angariar um conhecimento amplo sobre diversos temas, da ciência à arte, e por aí vai.

Acho que não encontrei uma página sequer nesse livro que não me fizesse rir. Muitas vezes você se compadece do protagonista, por seu jeito desastrado e confuso, em outras você se enxerga na pele dele, rindo de si mesmo por já ter pensado coisas muito parecidas ou, ainda, por ter feito as mesmas burradas. Sem contar os delírios apaixonados de Brian por Alice, que se não fossem cômicos seriam trágicos.

Enfim, acho que Jackson se empenha muito em ser aquilo que nunca será. Algo corriqueiro de se ver em um cara que não possui muita confiança em si mesmo, tem apenas 19 anos, muitas espinhas na cara e uma vida sexual tendendo ao zero absoluto. Nem vou mencionar seu porte atlético e sua performance na pista de dança. Vou ficando por aqui.

-Você vai ler esse livro?
-Sim.
-RESPOSTA CERTA.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma história para crianças. Espere, acho que me enganei.

Quem ousar dizer que "Ladrão de Olhos" é um livro para crianças, não estará no melhor de seu juízo. Deixe-me explicar o porquê.

O autor do livro, Jonathan Auxier, criou um mundo incrível e com tudo o que um bambino poderia esperar:

- Tem gente com poderes incríveis? Sim.
- Tem bicho que fala? Aos montes.
- Tem princesas? Claro
- Tem muita aventura? É o que mais tem ... etc, etc, etc.

Mas porque dizer então que não se trata de um conto infantil? Ora, basta adicionar um banho de sangue, umas decapitações e esfolamentos de um velhinho, misturar com uma dose de tortura, como bicadas de corvos até a morte, e PIMBA! Você tem uma mistura que nem todo rebento poderá adorar.

Pelo menos o final é feliz!!

Trago a vocês a fantástica história de Peter Nimble, o melhor ladrão de todos os tempos, que possui um pequeno detalhe que o difere dos demais bons ladrões: este é cego. Não cego de nascença, pois Peter fora encontrado com um corvo empoleirado no sexto em que foi deixado, já sem seus pequenos olhinhos.

Pode parecer triste para você, mas este menino consegue enxergar melhor do que alguém com olhos. Esteja certo disso. Com uma infância sofrida, ele é "acolhido" pelo Sr. Seamus, que o obriga a roubar todos os dias, restando os porões de sua casa, fétidos e imundos, e a vigilância do cão Killer, muito mal humorado diga-se de passagem.

Nenhum tipo de cadeado é páreo para Peter que, fazendo uso de suas habilidades, acaba roubando uma caixa misteriosa de um caixeiro viajante. O conteúdo dessa caixa? Nada mais, nada medos do que três pares de olhos fantásticos. O herói faz essa descoberta quando coloca em suas órbitas oculares os pares de olhos dourados da caixa e, ao dar uma piscadela, é transportado subitamente a uma ilha desconhecida onde conhece Sir Tode, uma criatura gato-homem-cavalo (até agora não consigo formar uma imagem mental disso), Sr. Pound e o Professor Cake.

Peter fica sabendo que o Professor armou para que ele não se contesse e roubasse a caixa com os olhos fantásticos. Um tempo depois, ele avisa ao menino que recebeu uma mensagem em uma garrafa, vinda do mar sem fim, com um autor desconhecido. O pedaço de papel contido na garrafa tinha uma charada, com um claro pedido de socorro de um reino perdido.

Sem muitas delongas, Peter e Sir Tode são escalados pelo Professor para velejar até este reino perdido e ajudar o autor de sua mensagem, tudo isso com a ajuda de três pares de olhos que deveriam ser usados com sabedoria, para não provocar maiores estragos, como sair dessa sem vida, por exemplo.

Eu não vou variar hoje, não vou contar como termina tudo isto. Apesar de já ter dito que de infantil essa história só possui a certeza de uma final feliz. Muita coisa te espera nessa história, mais malucas do que você seria capaz de imaginar. Dê uma chance a Peter Nimble!

Até a próxima e volte sempre!!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Jovens Bruxas ... lembra-se do filme?

Peço desculpas pela demora em fazer mais uma resenha, mas eu também preciso me dedicar aos estudos e à organização do meu casamento (gritinhos de felicidade!). Vamos lá!

Toda vez que leio histórias que envolvem bruxaria me lembro da minha adolescência e do filme "Jovens Bruxas", como menciono no título dessa postagem. Eu, minha irmã e minhas primas adorávamos tentar praticar os feitiços desse longa metragem, obviamente falhando em cada tentativa (risos!).

Jessica Spotswood, autora de "Enfeitiçadas", nos traz um enredo ambientado no século XIX. Após longos anos de dominância das bruxas, também conhecidas como as Filhas de Perséfone, a sociedade é comandada pelos homens por meio da Irmandade, destinada a assegurar que todas as garotas sigam o melhor caminho (de acordo com eles, é claro).

Muitas mulheres são consideradas perversas e indignas. Os Irmãos estão a todo momento a procura de transgressoras das regras, algo que Cate tenta desesperadamente esconder, protegendo assim suas duas irmãs, Maura e Tess.

Em meio a uma sociedade tão machista, uma profecia assombra as garotas. Diz-se que três irmãs bruxas poderão trazer as Filhas de Perséfone de volta ao poder, e que uma delas, tendo a capacidade da magia mental, será a mais poderosa. 

Entretanto, Cate não contava com o outro lado da profecia. Caso escolham o caminho errado, e seus dons sejam utilizados por quem queira destruí-las, um novo terror se espalhará, aniquilando diversas mulheres com o mesmo poderio das irmãs.

A protagonista se vê por diversas vezes muito dividida. Por um lado tem seus próprios desejos, principalmente em relação a Finn, o jardineiro de sua casa, que nela provoca suspiros. Por outro lado, também fez à sua falecida mãe a promessa de que cuidaria das irmãs.

No desenrolar dessa trama vemos que muitos desejam controlar o destino das meninas que a cada dia se mostram mais perto de serem as irmãs da profecia.

No primeiro volume da série, temos a oportunidade de conhecer personagens múltiplas, cada qual com um papel essencial no desenrolar do enredo. Devo dizer que senti arrepios com os acontecimentos. Nunca sabia o que esperar em cada situação, sempre surpreendida com a facilidade com que a autora expôs sentimentos tão intensos nas personagens. 

Não consigo imaginar o que está por vir, mas certamente estou ansiosa para descobrir no próximo livro da série. Como de costume, prefiro dar um gostinho do livro a vocês ao invés de sair contanto tudo de uma vez. 

Espero que tenham gostado e voltem sempre! Caso queiram dar uma opinião sobre o blog é só fazer um comentário abaixo!